Tatiana Cobbett

O Voo Múltiplo de Tatiana Cobbett

POR EDUARDO WAACK

Compositora lança videoclipe colaborativo e autobiográfico 

Para você, o que significa a palavra voo? A pergunta, enviada a dezenas de pessoas das mais diversas atuações profissionais, resultou em um mosaico de imagens que formam o novo videoclipe de Tatiana Cobbett. A parceria, marca da trajetória da cantora e compositora, ganha nova dimensão no videoclipe desta obra autobiográfica, em que o cotidiano da quarentena é apresentado de maneira colaborativa e poética. O single Voo, com arranjo e violão de Pedro Loch, é a quarta faixa do álbum “Lá e Cá”, que traz as obras criadas a partir dos encontros e descobertas entre Brasil e Portugal. A música também está disponível nas plataformas digitais Spotify e Deezer.

“Eu apenas enviei a palavra, o mote, o título da música para diversas pessoas de vários segmentos e pedi que enviassem imagens sobre o tema, feitas com o celular. São músicos, artistas plásticos, bailarinos, crianças, fotógrafos, pessoas das minhas relações para quem eu pedi sem dizer o motivo. As pessoas também não perguntaram para quê, ou seja, estamos todas com uma necessidade tão grande de nos expressarmos sobre qualquer assunto, motivo, que foi assim…”, relata a cantora.

A composição traz um caráter inédito por ser a primeira obra autobiográfica de Tatiana. “A música fala desse lugar muito profundo, eu, minhas referências. Talvez seja a primeira vez em que eu construa uma letra tão eu, falando de mim, o que não é também muito comum. Eu sou muito de observar; embora a maior parte das letras seja na primeira pessoa, 99% delas não tem nada a ver comigo. Voo tem,” revela.

Tatiana faz uma imersão e se vê diante da reformulação de suas parcerias, desta vez mediadas pela distância e confinamento impostos pela pandemia. Já a experiência com o parceiro Pedro Loch vem de longa data. “Na nossa chegada em Portugal, aprofundamos a vivência vizinha que tínhamos no Brasil, porque ficamos vizinhos de quarto por um tempo. Ele harmonizou a canção, enquanto eu cantava no banheiro, como sempre faço, mas o processo se diferenciou, porque depois cada um seguiu seu rumo”, lembra. 

“Pedro Loch é um músico exuberante. Aproveitar o seu virtuosismo, conhecimento e convivência com meu trabalho deu a essa música a profundidade natural que eu esperava e, ao mesmo tempo, a possibilidade de enfatizar nossas expressões individuais. Uma parceria, onde a harmonização, o arranjo, é uma concepção feita à parte. Eu trouxe para a voz e concepção geral da canção um exercício de cantar sem acompanhamento (a capela). Aqui tenho feito isto, aproveitando a força do acústico, condição ligada à cultura portuguesa, na ambiência do fado e da palavra literária, que é contagiante”, completa.

Voo é, sobretudo, a retomada do ponto de partida de sua carreira como cantora e compositora, com um toque de introspecção e aprofundamento. “Não vi necessidade de mais volume sonoro, porque me volto para voz e violão que foi o meu início enquanto mulher musicista”, conta. A composição foi criada antes da pandemia e gravada durante o afrouxamento da quarentena em Portugal: “Na primeira oportunidade que tivemos desconfinados tratei de fazer a gravação. Entramos no estúdio e gravamos de primeira”. Anos atrás o primeiro espetáculo que Tatiana produziu com suas próprias composições deu-se a partir do estudo sobre parcerias de voz e violão, gerando o disco “Parceiros”. 

A trilha que inspira a realização do clipe tem gravação, captação e mixagem do Estúdio Henrique Pacheco, em Lisboa. O audiovisual foi contemplado pelo Prêmio Funarte RespirArte / Música 2020 e editado pela Flor do Futuro Filmes, em Santa Catarina. O videoclipe conta com a declamação de um poema pela autora Inês Malta, jornalista e fotógrafa portuguesa, uma das pessoas convocadas por Tatiana a enviarem imagens sobre esse trabalho. Este é o quarto single do projeto “Lá e Cá”. Os três primeiros foram: Ultimar, parceria com o músico português Luís Lapa; Inominável, com Guinha Ramires; e Bem Me Quer Mal Me Quer, composição de Ana Paula da Silva. É também a segunda experiência audiovisual em que Tatiana convida para um trabalho colaborativo de expressão artística. 

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