Brasil, Noticias

VALDI AFONJAH, GUERREIRO DA LUZ

Por Eduardo Waack

Conheci Valdi Afonjah em 1987, quando ele e o fotógrafo Daniel Aamot foram ao Cabo de Santo Agostinho (PE) preparar as fotos para a capa de seu primeiro disco, “Negra Magia”. Nossa casa, na Vila de Nazaré, serviu de base para os registros obtidos nas praias de Calhetas e Gaibu, e no Vale da Lua. Dois dias de intensa convivência e magia, em que fomos brindados com a música daquele então principiante compositor. Tornamo-nos amigos, e Valdi musicou três poemas de minha autoria, entre eles o clássico “A Lua e A Favela”. Pessoa humilde, sensível e solidária, apresentamos nesta matéria um breve relato da carreira artística deste que é um ícone da cultura popular nordestina.

“Não ganhe o mundo em troca de perder sua alma; sabedoria é melhor que prata e ouro.” — Bob Marley

Apresentação. Fale-nos um pouco sobre você.

Valdi — Sou Valdi Afonjah, antes de tudo um ativista pela luz, pela paz, pelo amor, mas também músico, compositor e cantor desde os doze anos vivendo com a arte, com a música independente no Brasil e pelo mundo também. Sou um homem preto, africano brasileiro, nordestino filho de Xangô.

Como a música surgiu em sua vida?

Valdi — A música faz parte da minha vida desde a minha infância; meu pai era cantor de serestas, tinha um toca-discos ABC e uma discoteca muito variada. Eu ouvia de tudo, comecei a estudar música sozinho, por correspondência e aos doze anos cantava com um grupo que formamos na escola, além dos Grêmios (festas realizadas nas escolas) e Assustados, tocávamos também nos Centros Sociais das periferias do Recife, como Mustardinha e Afogados, e daí fui para os festivais de música no final dos anos 1970.

Quais suas grandes influências e pessoas que admira?

Valdi — As minhas primeiras grandes influencias foram minha mãe, meu pai e seus discos da música brasileira dos anos 1950. Minhas influências musicais vão de Luiz Gonzaga, Jorge Mautner, Luiz Melodia, Milton Nascimento, Gilberto Gil (o primeiro show de reggae que vi ainda anos 1970 foi Gil e Jimmy Cliff), Naná Vasconcelos e Caetano até Mestre Zé Duda, Cátia de França, Elza Soares, Gal Costa, Marina Lima, Bob Marley, Clementina de Jesus, Lia de Itamaracá, Jackson do Pandeiro, Peter Tosh, Steel Pulse, Police, Fela Kuti e a música africana como um todo. Tenho muitas referências de pessoas que convivi e convivo como o poeta Erikson Luna, Rubão Sabino (baixista), Zumbi Bahia (capoeira), as crianças, enfim a natureza e tudo que me cerca. Tento vibrar com a energia cósmica e transformar a música, minha ferramenta de trabalho, em uma experiência positiva sempre.

Quantos discos solo você lançou, e que estilos abrangem?

Valdi — Eu tenho três discos lançados ao longo da minha carreira. “Negra Magia” (1988) afro-pop. “Afonjah” (1997) é um disco de reggae com pitadas psicodélicas. Conta com a participação especial do Maestro Spok e dos meninos do Centro Cultural Daruê Malungo, grupo liderado pelo mestre Meia Noite. E “Cambinda Dub” de 2003, uma experiência que mixa a música tradicional e contemporânea. Neste trabalho falo de João Cândido, o Almirante Negro, líder da Revolta da Chibata, e conseguimos chamar a atenção da sociedade ao relembrar este fato histórico. Além destes tenho vários singles lançados nos últimos anos e estou preparando para esse ano de 2019 “Baobá Nossa Memória” que fala sobre ancestralidade, da nossa herança afro indígena e das minhas origens, é um disco místico e autobiográfico.

Quais seus principais parceiros musicais, e músicos com quem tocou e gravou?

Valdi — Tenho muitos parceiros musicais, mas atualmente os mais frequentes são Lepê Correia, Jorge Mautner e o Maracatu Estrela de Ouro de Aliança. Em 1990 fui para França, e, a partir daí começa minha trajetória musical pelo mundo. Fiz turnês pelo território europeu e africano, quando conheci Aston “Familyman” Barret, baixista do The Wailers, o que resultou em uma temporada na Jamaica, incluindo gravações e quatro meses de trabalho na ilha. Já toquei com muita gente: Coco de Umbigada, Elza Soares, Emilio Santiago, Ívano Nascimento e Luiz Melodia, entre outros, e tenho um duo com a cantora Monique Morena aqui em Recife, trabalho musical que já estamos realizando há cinco anos, tocando toda semana no Bistrô em Boa Viagem musica brasileira e mundial. Estar tocando para mim é vital.

Sua opinião sobre o panorama cultural e musical em Pernambuco.

Valdi — Pernambuco é terra fértil para a Arte principalmente nas periferias, na Mata Norte, Agreste e Sertão, onde a vida é mais desafiadora e desperta esse sentimento, essa necessidade de se expressar. Eu vejo muita coisa boa acontecendo e mesmo sob o olhar incrédulo e opressor dos donos do poder a arte continua pulsando e se alastrando pelas veias da cidade, pois a arte está em nosso DNA, é luz para nossa caminhada.

Um momento que ficou na memória.

Valdi — O nascimento das minhas filhas foi um momento importante e também a primeira vez que subi no palco aos doze anos de idade quando fui tocar no Centro Social Urbano de Rio Doce, em Olinda. Meu primeiro trabalho como crooner.

Como as pessoas podem contatá-lo e apoiar ou adquirir o trabalho desenvolvido por você?

Valdi — Meu contato é pelo e-mail afonjah@gmail.com, nos telefones (81) 99840-1724 ou (81) 99828-0111 — Mamahue Produções Culturais & Afins. Também estou no Facebook.

Quais seus planos para o futuro?

Valdi — Após passar quatro anos atuando como produtor e músico no projeto Maracatu Atômico Kaosnavial, junto com Jorge Mautner, Nelson Jacobina, o Coco Popular e o Maracatu Estrela de Ouro de Aliança (PE), projeto que se desdobrou em CD e documentário, retomei minha carreira solo. Para o futuro próximo é fazer o show dos trinta anos do meu primeiro disco “Negra Magia”, além de terminar e lançar o “Baobá Minha Memória”. Meus planos estão sempre no presente, pois o futuro a Jah pertence. Obrigado sempre pela oportunidade, Luz e Paz — Rastafar I.

 – “João Cândido”, por Valdi Afonjah, finalista VMB 2002 (MTV). Prêmio de melhor videoclipe nacional no Festival Guarnicê de Cinema em São Luís do Maranhão, 2003.

 – “Caxinguelê”, 2007. Parceria de Afonjah com o poeta Lepê Correia.

 – Em parceria com Jorge Mautner, “Agoye”, 2016

Brasil

CONSUELO DE PAULA E SUAS DELICADAS PAISAGENS SONORAS

Por Eduardo Waack 

Em suas composições, ela faz um mergulho nas tradições brasileiras, passeando por ritmos, lugares, pessoas e situações. Empreende um delicado trabalho de resgate da diversificada e rara alma nacional, e nos oferece o melhor de si. Nascida em 21/7/1962, Consuelo de Paula é vanguarda e é popular, autêntica sem ser elitista, transitando pelas diversas áreas da cultura libertária com voz afinada e reconhecido talento musical.

 Apresentação. Fale-nos um pouco sobre você.

Consuelo — Sou uma artista que se expressa através da canção e que está a serviço de uma obra, em busca de alguns momentos poéticos. Parece que são esses raros momentos poéticos que me fazem caminhar, que me impulsionam, me inquietam, arrumam e desarrumam meu pensamento, meu estado de espírito. Amo a vida através das surpresas vindas do simples e complexo fazer artístico, dessa coisa aparentemente tão sem importância e que ao mesmo tempo pode valer uma existência. Sou operária desse ofício tão pouco compreendido até mesmo por muitos de nós que o exercemos. Sou escrava de uma senhora exigente chamada arte e completamente apaixonada por ela. E acredito que a arte realmente chega a lugares onde mais nada consegue chegar. É o mais próximo do que um dia poderemos chamar de amor.

Como a música surgiu em sua vida?

Consuelo — Fui rainha da congada em minha pequena cidade natal, Pratápolis, Minas Gerais. Isso significava vestir-se com coroa e manto de cetim e seguir os cortejos de congadeiros e moçambiqueiros pelas ruas da cidade. Toquei flauta, escaleta, marca-passo e repinique na fanfarra do colégio. Fundei um bloco carnavalesco aos treze anos e dirigi a bateria do “Lá Vem Elas”, assim batizado pelo meu pai. Cantei em serenatas e teatrinhos da escola. Chorei quando tinha seis anos de idade porque queria aprender piano e não havia professor na cidade. Era louca por música, ficava sem dormir esperando por um momento de fanfarra, serenata, carnaval, congado. Inventava peças de teatro, canções e danças. Ouvia na vitrola da casa de minha avó os LPs de Vicente Celestino, Ataulfo Alves e ainda me lembro quando minha mãe trouxe para mim vários discos da Elis Regina e da Maria Bethânia que ela comprou na discoteca da cidade vizinha. Depois fui estudar em Ouro Preto e me senti como uma ave que vê crescer as asas, me senti inspirada, livre, aberta a novos horizontes. Cantei na Casa da Ópera de lá, cantei nas praças, nos becos, nos bares. Ouvi muita música mineira e música do mundo. Quando me formei vim para São Paulo como quem tem que seguir o curso do rio, como um bicho que segue seus instintos de sobrevivência, sem ter na consciência o significado da certeza que senti quando pisei aqui pela primeira vez, a certeza de que aqui eu deveria fazer morada, que neste lugar eu encontraria estradas, outras expressões, avenidas…

Quais suas grandes influências e pessoas que admira?

Consuelo — As minhas influências vêm todas das fontes inesgotáveis da música brasileira. Desde a música que os índios, os negros, os caboclos, os trabalhadores rurais, os mestres populares fazem, até a música erudita brasileira e do mundo. A música que grandes artistas urbanos fizeram, como Chiquinha Gonzaga, Villa Lobos, Noel Rosa e muitos outros dessa geração; Chico Buarque e outros da sua geração; as nossas grandes intérpretes, os sambistas, os chorões, os seresteiros. E continuo sempre sofrendo influência de tudo o que se faz de bom na arte brasileira e mundial. Adoro quando um músico jovem me surpreende, adoro descobrir novos sons.

Quantos discos solo você lançou, e que estilos abrangem?

Consuelo — Os discos “Samba, Seresta e Baião”, “Tambor e Flor”, “Dança das Rosas”, “Casa”, “Negra” (este também em DVD), “O Tempo e o Branco” e o livro “A Poesia dos Descuidos”. Eles fazem parte de uma única e interminável obra. Como um filme. Como uma exposição de quadros, como paisagens que vão tecendo um lugar. Como uma expressão que insiste em continuar, pois parece não ter ainda encontrado a palavra que satisfaça. Como um caminho tão pequenino frente à grandeza do universo, um grão de areia e ao mesmo tempo infinito em possibilidades novas a cada audição. Quando olhamos de longe, o estilo pode ser definido como sendo simplesmente música brasileira que namora com o samba sem poder ser classificada como tal, namora com o baião sem ser baião, namora com nossas toadas, canções, ritmos diversos, sem ser nenhum deles. Música brasileira feita por uma mineira que vive em São Paulo. Trago muito de Minas em minha música, os seus ritmos com diversidades de “respirações” em “seis por oito”. Busco o que a poesia consegue chegar numa letra de canção. E canto com minha divisão que vem da vivência com esses ritmos que citei, com polirritmias, com a toada, com universos ternários, e com o samba da minha região. Canto com uma divisão que tenta expressar a poesia. Canto com uma voz que buscou no silêncio a sua naturalidade, a sua verdade, a sua clareza. Deixo para outros classificarem, eu não consigo classificar a arte musical que faço. É Consuelo de Paula, para o bem e para o mal; para a amplitude que possa não ter e para o aprofundamento que possa ter; afinal, só posso cantar o que extremamente sinto, só posso compor o que a inspiração traz, só posso alcançar o que minha estética e antena de artista permite, e só permito o que para mim causa espanto e surpresa. 

Quais seus principais parceiros musicais, e músicos com quem tocou e gravou?

Consuelo — Cantei com Naná Vasconcellos em Buenos Aires. Cantei ao lado de Rolando Boldrin num show conduzido por Chico Pinheiro e Heródoto Barbeiro. Recentemente gravei com Toninho Ferragutti e Neymar Dias. Gravei com Dante Ozzetti, Zeca Assumpção, Sergio Reze, Heloisa Fernandes, Fábio Tagliaferri, Zezinho Pitoco, Ari Colares. Gravei um CD com a Orquestra A Base de Corda com arranjos de Chico Saraiva, Weber Lopes, Luiz Ribeiro, João Egashira, Luís Otávio Almeida e André Prodóssimo. Cantei ao lado do clarinete de Alexandre Ribeiro e da viola de Levi Ramiro. Gravei com Mario Gil, Teco Cardoso, Edmilson Capellupi, Gil Reyes, Jardel Caetano, Cássia Maria, Bré, Sylvio Mazzuca Jr., entre outros. Cantei com o Grupo Viola Quebrada.

Tenho composições realizadas em parceria com Rubens Nogueira, Vicente Barreto, Katya Teixeira, Socorro Lira, Dante Ozzetti, João Arruda, Guilherme Rondon, Luiz Felipe Gama, Luiz Salgado, Rafael Altério, Amauri Falabela, Felipe Azevedo, Elson Fernandes, Etel Frota, Osvaldo Rios, Gulin, Túlio Borges, Pedro Antonio e muitos outros queridos. Minhas canções já foram gravadas por Maria Bethânia, Alaíde Costa, Gonzaga Leal, Rita Gullo, Luzia Dvorek, Cris Lemos e Karine Telles, entre outros artistas que admiro.

Qual sua opinião sobre o panorama cultural e musical no Brasil atual?

Consuelo — Ao contrário do que a grande mídia tenta fazer parecer, no mundo real, na vida real, o panorama, por incrível que pareça, é cheio de belezas, de surpresas, de obras de arte sendo criadas e produzidas (mais criadas do que produzidas porque está cada vez mais difícil fazer um CD independente de música de arte, cada vez mais difícil viabilizar a produção — mesmo sabendo que as pessoas ouvem obras artísticas musicais o tempo todo, sabendo que o mundo não vive sem música, mas o mercado achou um jeito de que essas obras existam mesmo sem remunerar devidamente compositores, músicos, intérpretes, etc). Então, a arte continua forte; continuamos fazendo, criando, mas isso tudo como resultado da dedicação plena de muitos artistas, como resultado de uma luta que tem alto preço, mas que apaixonadamente os artistas continuam a realizar. Teimo em viver de música e assim será, pois a arte exige dedicação plena. No Brasil atual o panorama está bem complicado, vivemos tempos sombrios, vivemos tempos de retrocesso, mas reagimos com mais e mais canções, reagimos cantando, tocando, batucando, poetizando. Com mais força ainda.

O que pensa de uma América Latina mais unida e solidária?

Consuelo — É fundamental que isso se torne realidade, que tenhamos essa atitude, esse olhar, esse desejo e ação. Sempre senti isso de uma maneira muito forte. É um sentimento natural, é só abrir os braços e unir mantiqueira com cordilheiras, é só mergulhar e ver a água que corre nos mesmos rios. E para mim é só começar a cantar meus ritmos que a conversa é imediata. Essa união estava começando a crescer na América Latina, mas já está sofrendo ataques por causa de interesses político-econômicos para a manutenção de certos poderes. Seríamos muito fortes com essa aproximação, ela é essencial. E seria natural se não houvessem ataques a isso, se não houvesse uma grande mídia que cega e impede o que seria apenas o curso normal de um rio. Essa mídia serve a interesses estranhos ao campo da arte, da cultura, da política, sempre impedindo o soar das canções mais originais, mais provocadoras, mais ligadas a nós mesmos.

Um momento que ficou na memória.

Consuelo — Só um? São tantos momentos guardados na retina, no coração, na alma… Citarei apenas sete então! Quando comecei a cantar em São Paulo participei do projeto Arte nas Ruas e certa vez, cantando na Praça da Sé, um mendigo me falou palavras lindas sobre o que a minha voz havia provocado nele e me ofereceu uma garrafa de champanhe, deixou a garrafa ali, perto de mim e saiu. Era ocasião do Natal e ele deve ter ganhado alguma cesta e me deu o que certamente ele achou melhor. Eu não sabia o que dizer, o que fazer, foi muito lindo. Outro momento inesquecível foi no palco do Theatro Municipal de São Paulo quando ouvi o som da caixa da canção Folia /Fitas soando ali naquele espaço tão importante, lotado, e todos cantando comigo esse canto tão particular: …voam fitas amarelas… Outro momento bem guardado foi quando ouvi Maria Bethânia cantando a minha canção Sete Trovas (parceria com Rubens Nogueira e Etel Frota) em seu camarim, assim que entrei para cumprimentá-la.  Quando cantei no maior teatro da Argentina, o Gran Rex, fui aplaudida de pé durante vários minutos e ali, abraçada com meus músicos, senti uma energia linda, uma alegria incomum. Outro momento foi quando tive a sensação de voar no palco do Auditório Ibirapuera. Cantar ao lado de Rolando Boldrin e chorar de emoção junto com ele é inesquecível para mim.

Marcante foi gravar o programa Ensaio da TV Cultura, dirigido pelo saudoso Fernando Faro, programa do qual sempre fui fã e que fez parte de minha formação. E mil momentos que vivencio durante os shows, seja nos instantes de transcendência no palco, seja na hora dos abraços com o público. Guardo expressões de pessoas muito simples, que varrem os teatros, que são operadores de som, guardo expressões de poetas, de acadêmicos, de críticos, guardo a cumplicidade dos que trabalham junto, dos que me ajudam a fazer o que faço, guardo carinhos de fãs, guardo olhares.

Como as pessoas podem contatá-la e apoiar ou adquirir o seu trabalho?

Consuelo — Tenho um site com grande parte da minha história, vídeos, áudios, fotos, críticas, discografia, etc: www.consuelodepaula.com.br. Nesse site tem uma loja virtual com a minha obra: www.consuelodepaula.com.br/lojavirtual. A obra é distribuída pela Tratore e pode ser encontrada também nas boas lojas do ramo e nas lojas virtuais e digitais. As pessoas podem entrar em contato comigo através das redes sociais: https://www.facebook.com/paginaconsuelodepaula, https://twitter.com/consuelodepaula, https://www.instagram.com/consuelodepaula, https://www.youtube.com/user/consuelodepaula. E através do e-mail consuelodepaula@uol.com.br

Quais seus planos para o futuro?

Consuelo — Estou compondo um CD a partir de minhas melodias e letras, um CD que virá da minha relação atual com meu violão. Quero também realizar um projeto que é da intérprete. Faz tempo que não gravo um disco interpretando outros autores e tenho vontade de realizar isso. Canto em meus shows muitas coisas de outros autores também, entre as minhas canções, mas quero pensar numa obra inteira assim, mas isso tem que me surpreender. Estou preparando também um CD que surgiu de um mergulho profundo na natureza realizado com meu parceiro João Arruda. Quero escrever um livro com novas poesias.  Realizar shows pelo Brasil e pelo mundo. Continuar a caminhada com passos firmes, com a coragem de sempre e principalmente com o tamanho absurdo do amor que sinto por tudo e todos quando componho ou quando canto.

 

“O Meu Lugar”, música de Consuelo de Paula e Rubens Nogueira. Voz: Consuelo. Acordeom: Toninho Ferragutti. Viola: Neymar Dias.

“Espera”, Consuelo de Paula ao vivo em Curitiba (PR) no Theatro Paiol, junto à

orquestra “À Base de Cordas”, com regência de João Egashira e arranjo de Chico Saraiva.

“Retina”, composição de Consuelo de Paula e Rubens Nogueira. Consuelo apresenta-se no programa Senhor Brasil, da TV Cultura, com Rolando Boldrin.

Brasil

O REALISMO FANTÁSTICO DE QUINHA CARVALHO

Por Eduardo Waack

Apresentamos o trabalho de um fotógrafo que nos faz enxergar o mundo com outros olhos. Que nos assusta e impressiona, nos deixa pequeninos diante das forças implacáveis da natureza. Que tem na fotografia a sua paixão, e conosco compartilha sua visão planetária. Valcir Cirino de Carvalho, mais conhecido como Quinha, nascido e criado na cidade de Matão (SP) há 59 anos, é pai de três filhos. Contador por profissão, sempre interessou-se por documentários sobre natureza e vida animal. Curioso e determinado, era o fotógrafo da família. Sua primeira câmara foi uma Kodak Tira-Teima, que a seguir trocou por uma Yashica ME-1, não parando de evoluir.

Deixemos que ele mesmo se apresente. “Pra ser sincero não tenho alguém em especial que me influenciou, mas como referência, na fotografia de natureza gosto de Araquem Alcântara, e retratando pessoas e cotidiano, admiro Cartier-Bresson e Sebastião Salgado. Além da paixão, fotografar pra mim serve como uma válvula de escape, um alívio ao estresse do dia a dia. Motiva-me o amor à natureza e também levar as pessoas a apreciarem o mundo e a vida que existe ao nosso redor, que muitas vezes está em nosso quintal e não conseguimos enxergar. Estas fotografias são o resumo de tudo que faz sentido em minha existência e me motiva a registrar.”

Apreciemos, pois, estes registros inspirados de Quinha Carvalho!

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Brasil

LUIZ WAACK, ABRINDO CAMINHOS

 

Por Eduardo Waack

Publicamos entrevista inédita feita com o compositor, instrumentista, produtor e arranjador de música popular brasileira Luiz Waack, nascido em 1962, músico que destaca-se por sua sensibilidade, generosidade, virtuose e amor ao que faz. Deixemos que ele mesmo se apresente. Boa leitura!

Apresentação. Fale-nos um pouco sobre você.

Luiz — Sou filho de uma pianista de mão cheia que não seguiu carreira de pianista, tornando-se professora do Estado e mãe; tive a sorte de ouvir interpretações inspiradas de List, Chopin, Mozart, Beethoven desde a primeira infância. Isto me influenciou diretamente na maneira de buscar o lirismo na minha forma de tocar por toda minha vida. Outra influência importantíssima foi a primeira fita cassete da família, que veio junto com o primeiro player da casa, de outro grande e inspirado músico com toque sutil: Luiz Bonfá ao violão .

Como a música surgiu em sua vida?

Luiz — Aos 12 anos comecei a ter aulas de violão e tive um mestre pouco atrelado a disciplina, técnica, teoria: José Valter Pini, mas muito motivador da sensibilização auditiva, da escuta. Isso ajudou muito a delinear minha busca musical através de sensações e emoções, antes do “saber” propriamente dito.

Quais suas grandes influências e pessoas que admira?

Luiz — Ainda nesta fase, além dos grandes da MPB (Milton e mineiros, Caetano, Gil, Chico, Gal, Bethânia, etc.) que meu mestre apresentava em suas aulas, tive contato com o rock do Yes, Led Zeppelin, Pink Floyd e outros, influências fortes na minha maneira de buscar sons. No ensino médio, tive contato com Stones, Rush, entre outros, mas quem me influenciou bastante foi Frank Zappa. Nesta época comecei a fazer trilha sonora ao vivo em teatro de bonecos, inclusive atuando nas montagens como um personagem (o músico). Um certo momento comprei minha primeira guitarra e comecei a tocar com outros músicos; de repente estava tocando com Bocato, Jerri Espíndola, e acabei indo tocar com Itamar Assumpção, o que me marcou profundamente na maneira de tocar guitarra, pela linguagem pausada e cheia de feeling blues. Destaco aqui a influência direta do grande guitarrista Luiz Chagas, a quem tive que substituir na banda Isca de Polícia, e também do incrível Jeff Beck que a todos influenciou e ainda influencia. A influência de Hermeto Paschoal, Egberto Gismonti, Pau Brasil e todos que compunham a cena do instrumental brasileiro também me marcou, assim como Miles Davis, Pixinguinha e todos os grandes do choro e da bossa. O jazz francês de Django, Joe Pass e tantos outros guitarristas ia desenhando caminhos em minha mente, que acabou fazendo de todo este mix um caminho pessoal. Impossível esquecer de Pepeu Gomes, Santana, Clapton, BB King, todos muito marcantes em minha formação. Neste caminho profissional, o contato com músicos da cena paulistana me enriqueceu a paisagem: Premê, Rumo destacadamente, além da própria banda Isca de Policia da qual fui integrante.

Quantos discos solo você lançou, e que estilos abrangem?

Luiz — Em minha carreira solo de compositor produzi dois trabalhos com composições instrumentais minhas, lançados em 1989 (“Vidro e Trilhos” — Baratos &Afins), e em 1994 “Maguari” (mesmo selo). Agora lancei mais um, pelo selo Tratore, depois de 21 anos sem produzir um disco solo; é o elogiado disco “Abra Os Caminhos”. Também participei em discos de Bocato, Paulo LePetit e do pianista Fernando Moura, todos instrumentais.

Quais seus principais parceiros musicais, e músicos com quem tocou e gravou?

Luiz — Ao longo da carreira foram se sucedendo muitas vivências, e pude tocar em shows, gravações ou participações em shows e no programa de TV Fanzine da TV Cultura (do qual eu era integrante da banda), e com muitos grandes nomes da música brasileira, dos quais destacaria Itamar Assumpção, Marisa Monte, Arrigo Barnabé, Alzira E, Ney Matogrosso, Edvaldo Santana, Lenine, Rapin Hood, Taíde, Zélia Duncan, Ed Motta, Paulo Moura, Maurício Pereira, Luiz Melodia, Gulherme Rondon, Ceumar, Cris Aflalo, André Abujamra, Cássia Eller, Hermeto Pachoal, Oswaldinho do Acordeon, Altamiro Carrilho, Bocato, Chico Cesar e muitos outros.

Suas atividades como produtor musical.

Luiz — Como produtor, além de trilhas para documentários, institucionais, e alguma propaganda, me dediquei essencialmente à produção de CDs de compositores e interpretes, destacando entre muitos os nomes de Edvaldo Santana, Alzira E, Cris Aflalo, Mauricio Pereira e também Rita Rameh, com quem produzi dois CDs infantis (“Por quê?” e “Embolada” — Tratore), ambos ganhadores do Prêmio da Música Brasileira — categoria CD Infantil. Finalizamos em abril nosso terceiro CD infantil, chamado “Você Que Inventa”. Em diversas produções musicais pude fazer arranjos para metais, cordas ou da base, e essa é uma atividade que muito me agrada.

Fale-nos sobre seu estúdio de gravação.

Luiz — Trabalhar em estúdio é um ofício que exige paciência, organização, método, ordem, conhecimento de softwares, microfonação, equalização, acústica, psicoacústica, compressão, e efeitos de todo o tipo.

Ao mesmo tempo, trabalhar com compositores requer sempre uma dose de imponderável, desordem, busca, experiências, testes, constatações que só acontecem no dia a dia, e sinto que é necessário um pouco de liberdade para que surpresas aconteçam, tanto as boas e as más. Gosto muito de produzir, de ouvir o autor e de ajudar a busca da forma de construir o arranjo de maneira que a letra e a interpretação fiquem naturais para o interprete. Gosto muito de tocar, e este é um dos meus dilemas, pois muitas horas de estúdio acabam afastando o instrumento de você, e preciso tocar para me equilibrar, amo tocar guitarras, violas caipiras, guitarra portuguesa, cavai, banjo, bandolim, violões, só que tudo isso demanda tempo e prática!

 

Qual sua opinião sobre o panorama cultural e musical no Brasil atual?

Luiz — Panorama cultural brasileiro, pra mim, é um tema delicado, já que passei uma boa parte de minha carreira tocando com grandes músicos do Underground da cultura brasileira, e, visto por este ângulo, só poderia abominar a falta de espaço, de educação musical, de memória, de cultura, a mediocridade que impera nos meios de comunicação, a pobreza e o desperdício de quem nem sabe de suas origens, como é grande parte do nosso povo, infelizmente. Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, João do Vale, Dorival Caymmi, Noel Rosa, Nelson Cavaquinho, Cartola, Lupicínio, Ataulfo, Pixinguinha, Kaximbinho, Waldir Azevedo, Luperce Miranda, Tião Carreiro & Pardinho, Angelino, Raul Torres, Tonico e Tinoco, Pena Branca e Xavantinho, Jobim… Todos do samba, do caipira/sertanejo, do choro, da bossa e da MPB são um tesouro que, a exemplo de nossas divisas, nosso meio ambiente, entre outras riquezas, acabam sendo desperdiçados. Por outro lado vejo que há sim uma nova geração brilhante e viva, muito informada; são inúmeros compositores, bandas, autores jovens e talentosos que já vem ao mercado com um cenário diferente, ligado às redes da Internet, não só ao Brasil como ao mundo todo. Tulipa Ruiz, Anelis Assumpção, Kiko Dinucci, O Terno, Karina Buhr, tanta gente que nem conheço, jovens instrumentistas e letristas, todos me dão muita esperança na mudança deste cenário.

Quais seus planos para o futuro?

Luiz — Após produzir meu terceiro CD de música instrumental autoral, estou finalizando um CD com o cantor e compositor Sérgio Espíndola com canções compostas a partir da obra “Cancioneiro” de Fernando Pessoa. Produzi um CD infantil com Rita Rameh. Também produzi o último CD do compositor Edvaldo Santana (“Só vou chegar mais tarde”), parceiro de longa data. Faço shows com Mauricio Pereira, Edvaldo Santana, Alzira E, e shows instrumentais meus, além da montagem do infantil “Embolada”. Meus planos para o Futuro são de viver o presente melhor, se possível com muita natureza, paz e inspiração. Quero me dedicar à retomada de meu trabalho instrumental para que minhas composições tomem rumo por aí, são minha vida, minhas experiências, sentimentos sobre tudo o que a vida tem me dado, o que não tem sido pouco. Continuar com meus parceiros, iniciar novas produções, tudo me anima, pois é o que sei fazer de melhor.

Como as pessoas podem contatá-lo e apoiar ou adquirir o trabalho desenvolvido por você?

Luiz — Para contato deixo meu e-mail luizwaack@yahoo.com. Estou aberto a todos que me escreverem.

“Tristeza Não”, Luiz Waack com Alzira E, música de Itamar Assumpção e Alice Ruiz.

“Chiclete com Banana”, Luiz Waack com Cris Aflalo, música de Gordurinha e Almira Castilho.

Show em comemoração ao aniversário de 35 anos do selo Baratos Afins. Novembro de 2013, Sesc Consolação, em São Paulo (SP). Luiz Waack (guitarra), Lanny Gordin (guitarra), Luiz Carlos Faria (trumpete), Reinaldo Arcanjo (baixo), Daniel Szafran (teclado),

 

 

Brasil

CIDA MOREIRA, ENTREVISTA

Por Eduardo Waack

Sua voz é potente como um trovão, mas também pode ser suave como um acalanto. É uma divina rainha da MPB que deixa a nós, seus admiradores, ansiosos por sua inspirada presença. Nascida na capital paulista em 12/11/1951, Cida Moreira é cantora e atriz. Gravou seu primeiro disco, Summertime, em 1981, e a partir daí seguiu reconhecida carreira musical. Com opiniões fortes e presença cênica marcante, ela é simples e complexa, brasileira e universal: contemporânea, eterna, reluzente.

Apresentação. Fale-nos um pouco sobre você.

Cida — Sou uma mulher de 66 anos, com uma filha de trinta anos… Comecei a cantar em programas de rádio no interior de São Paulo onde fui criada; estudo piano desde os seis anos. Sou cantora, atriz, pianista e psicóloga formada, profissão que exerci por sete anos até optar pelo teatro, cinema e música.

Como a música surgiu em sua vida?

Cida — Eu surgi para a música, como falei acima. Nasci com ela dentro de mim, como um dom que agradeço todos os dias da minha vida…

Relembrando a Vanguarda Paulistana dos anos 1980.

Cida — A tal Vanguarda Paulistana foi um dos grandes momentos de nossas vidas. As mistificações em torno dela apenas se valem de um saudosismo paralisante. Estamos todos aí, velhos, fortes e com trabalhos muito significativos, apenas isso…

Quais suas grandes influências e pessoas que admira?

Cida — Minhas influências são música erudita, pop, música brasileira de todas as épocas… E tudo isso continua me dando régua e compasso até hoje.

Quantos discos solo você lançou, e que estilos abrangem?

Cida — Tenho doze discos solo em LPs e CDs, e dezenas de participações honrosas em lindos projetos.

Quais seus principais parceiros musicais, e músicos com quem tocou e gravou?

Cida — Toco piano, solitariamente, mas trabalho com grandes músicos e instrumentistas. Ao longo de quarenta anos de carreira a lista é infindável e eu esqueceria alguns nomes…

Qual sua opinião sobre o panorama cultural e musical no Brasil atual?

Cida — O Brasil atual é o Brasil de sempre… Os criadores fundamentais continuam. Novas e boas gerações fazendo uma música forte e bela, e um comércio sem critérios vendendo quantidade sem qualidade… Os artistas de verdade não param, nem desistem por conta de nada.

O que pensa de uma América Latina mais unida e solidária?

Cida — Acho absolutamente improvável esta união. Os sistemas políticos não permitem isso, e somos muito diferentes mesmo entre nós.

Como as pessoas podem contatá-la e apoiar ou adquirir o seu trabalho?

Cida — As pessoas me contatam pelas mídias todas, página no face, site (www.cidamoreira.com), lojas de discos, em todo lugar, e muito You Tube, essa arma de divulgação poderosa.

Quais seus planos para o futuro?

Cida — Os mesmos de toda minha vida… Cantar com dignidade, coerência e integridade, e me retirar quando decidir isso. Simples…

Cida Moreira interpreta “Na Hora do Almoço” de Belchior, em vídeo dirigido por Murilo Alvesso.

“Forasteiro”, composição de Helio Flanders e Thiago Pethit. Cida Moreira ao vivo na Casa de Francisca, em São Paulo.

“O Ébrio” (Vicente Celestino), “Azulão” (Jayme Ovalle e Manuel Bandeira), “Todo o Sentimento” e “Geni e o Zepelim” (Chico Buarque). Cida Moreira no programa Ensaio, da TV Cultura.

Brasil

Chile vuelve a Rio Content Market con más empresas y robustos proyectos televisivos y digitales

  • Once casas productoras chilenas dedicadas a la creación de contenido audiovisual participarán en el principal mercado brasileño, uno de los eventos más importantes en el mundo para la industria de la televisión y nuevos medios.

Entre el 3 y el 6 de abril,  más de tres mil profesionales se reunirán en la octava edición del Rio Content Market, evento que se ha convertido en uno de los principales mercados de contenidos audiovisuales del continente. Y este año, por tercera vez consecutiva, una destacada delegación de productores chilenos exhibirá y promoverá sus mejores proyectos de animación, ficción y documental.

Con una intensa oferta de charlas, talleres y espacios de networking, la edición 2018 de Rio Content Market  -que este año será parte de Rio Creative Conference integrando también a las disciplinas de la música y la innovación- ofrecerá una amplia gama de contenidos y volverá a tener como actividad protagonista las rondas de negocios y los pitchings. Asimismo, y como en años anteriores, la integración regional es una de las líneas programáticas, organizando encuentros de productores y canales de diversos países latinoamericanos incluyendo a  Chile, que ofrecerá una charla sobre coproducción regional.

En esta oportunidad, los productores Diego Breit (Glaciar Films Spa), Carlos Ulisse (Dinogorila Creative Lab) y Álvaro Ceppi (Zumbástico Studios) llegarán al mercado de Río de Janeiro gracias al apoyo del Ministerio de las Culturas, las Artes y el Patrimonio -a través del Programa de Apoyo a la Participación en Mercados Internacionales del Consejo del Arte y la Industria Audiovisual (CAIA)-, en busca de coproductores, financiamiento y también nuevos acuerdos de distribución. Desde Glaciar Films, Breit presentará los proyectos documentales “Civilization”, “Tráfico ilícito” y “Chiloé”, mientras que Ulisse viajará con los trabajos de Dinogorila Creative Lab llamados “Hola Flinko” y “Locos lab” en busca de socios. Ceppi, en tanto, exhibirá a nombre de Zumbástico Studios la tercera temporada de la exitosa serie de animación “Puerto Papel” (coproducida con Argentina, Colombia y Brasil), y las series de aventuras animadas “Chanchi-Perri y la Liga de la Villanía” y  “Mundo Perro”.

A la delegación nacional se sumarán los representates de otras ocho casas productoras nacionales: Errante, Atómica TV, Sudamerican Films, Lunes TV, Parox, West 112, Workzord Animation Studios, Mani Producciones, Despiertocfilms y Solita Producciones.

Como parte de las actividades oficiales del mercado audiovisual, nuestro país realizará una charla enfocada en la coproducción para formatos televisivos, en la que participarán los productores Álvaro Ceppi, Sergio Gándara y Paola Castillo (representante de Errante y directora de ChileDoc) y que se realizará en la Cidade das Artes el jueves 5 de abril.

La delegación chilena contará con el apoyo en terreno de la marca sectorial CinemaChile,  bajo el alero de su marca CinemaChileTV!, y de la agregada comercial de ProChile en Brasil, María Julia Riquelme.

“Rio Content Market se está consolidando como el mayor encuentro de la industria audiovisual de América Latina, donde se dan cita los principales actores del mundo del cine, televisión y de locaciones. Un evento que el año pasado contó con más de 30 mil asistentes de 36 países y que permitió la realización de más de 1.420 reuniones de negocios. Es por ello que una vez más hemos apoyado la presencia de nuestra marca sectorial CinemaChile en este mercado, cuyo crecimiento se ve reflejado en el incremento de salas de exhibición de cine, que pasaron de 2.110 en 2009 a más de 3.000 en 2015”, asegura María Julia Riquelme desde Brasil.

Río Content Market se ha consolidado como uno de los eventos más importantes del mundo para la exposición y los negocios de contenidos audiovisuales, conectando a emisoras de televisión, plataformas de VOD y de OTT, además de  grandes empresas que invierten en los más diversos contenidos audiovisuales, producciones independientes, programas de animación, documentales, adaptaciones y otras creaciones

Brasil

ARTE AMERÍNDIA, ENTREVISTA COM ALICE HAIBARA

A proposta destas duas visionárias é valorizar a cultura indígena, dar visibilidade às suas lutas ancestrais e atuais, e fortalecer sua identidade diferenciada. Alice Haibara e Juju Maschietto são as criadoras do grupo Arte Ameríndia, e nos apresentam iniciativas reais e possíveis, para um relacionamento saudável entre os diversos grupos que compõe a sociedade brasileira, onde a “maioria” respeite e aprenda com as minorias.

Como surgiu a ideia de criar o grupo Arte Ameríndia?

Alice — Surgiu a partir da relação de parceria com as mulheres Huni Kuin da região do Acre. Iniciamos o projeto em 2013, eu sou antropóloga e na época realizava pesquisa de mestrado junto ao povo Huni Kuin do Rio Jordão.

Devido a uma demanda das artesãs indígenas, sobre alguns materiais vindos das cidades (especialmente miçangas de vidro) para a confecção de suas peças, iniciamos um processo de circulação e troca de materiais por artesanatos, comercialização das peças, compra nas comunidades e venda nas cidades. A partir de então expandimos a parceria com povos de outras regiões do Brasil e também América Latina. Unimos a proposta da comercialização das peças a partir de premissas do comércio justo, ao trabalho já realizado há alguns anos por nós na área de produção junto a projetos de fortalecimento cultural indígena, organizando eventos de intercâmbio de saberes dentro e fora das aldeias, de maneira a valorizar as artistas e artes ameríndias e apoiar a circulação não apenas das peças mas também das pessoas nos processos de trocas de conhecimento.

Qual é a proposta do grupo Arte Ameríndia?

Alice — Valorizar as artes e artistas indígenas a partir de práticas de comércio justo e sustentável e movimentos de intercâmbio de saberes. Contar as histórias e a riqueza cultural que existem em cada peça de arte ameríndia.

Breve histórico das atividades desenvolvidas até agora.

Alice — Desenvolvemos parcerias na circulação de artes ameríndias tecendo redes com povos indígenas de diferentes regiões: Huni Kuin (AC), Yawanawá (AC), Krahô (TO), Yawalapiti (Xingu, MT), Mehinako (Xingu, MT), Waura (Xingu, MT), Guarani Mbya (SP), Fulni-ô (PE/SP), Pataxó (BA), Emberá (Colombia), Ingá (Colômbia), Huichol (México e Guatemala), Shipibo (Peru), Aymara (Bolívia), Quechua (Equador), Wayu (Colômbia), além de ribeirinhos da região de Santarém, Pará. Realizamos oficinas artísticas com mestras indígenas do Xingu e do Acre, de tecelagem em miçanga, cerâmica, pintura corporal, em São Paulo. Além disso, existe o apoio e realização de diversas rodas de conversas, rodas de cantos e outras atividades relacionadas aos saberes de cura e plantas da floresta, pelas lideranças espirituais indígenas nas cidades.

Kamalu, imersão artística no alto Xingu.

Alice — O projeto Kamalu surgiu a partir da parceria com mulheres do Alto Xingu de uma família com importante atuação política e muitos conhecimentos.

Iamony Mehinako é liderança feminina em sua aldeia, reconhecida como importante pajé e mestra ceramista; suas filhas Anna Terra Yawalapiti e Watatakalu Yawalapiti são atuantes na política indigenista e artesãs primorosas na pintura corporal, artes em miçangas e tecelagem em esteiras. Iniciamos o projeto com oficinas que foram realizadas em São Paulo primeiro por Anna Terra e posteriormente por sua mãe Iamony. Uma bela imersão cerâmica foi realizada com duração de três dias em que as pessoas ficaram muito felizes em aprender um pouco sobre as técnicas cerâmicas com Iamony. Programamos então uma imersão artística na aldeia delas, para que as pessoas pudessem adentrar mais a fundo na convivência com outros modos de vida e de aprendizado, experienciando o cotidiano na aldeia e aprendendo técnicas artísticas indígenas.

 

Qual a situação atual dos povos indígenas brasileiros?

Alice — Bastante complexa e diversificada. Há diferentes realidades sendo vividas hoje pelos mais de 220 povos indígenas que habitam no Brasil. Podemos ressaltar que num quadro geral atualmente as políticas públicas estão bastante desfavoráveis aos povos indígenas tanto no que tange aos direitos territoriais, como aos processos de fortalecimento cultural.

Pessoas e organizações que destacam-se na defesa e empoderamento dos povos indígenas.

Alice — Há diferentes organizações indigenistas que atuam há décadas na defesa e empoderamento dos povos indígenas, como por exemplo o Instituto Socioambiental (ISA), IEPÉ, CTI — Centro de Trabalho Indigenista, Conselho Indígena Missionário — CIMI, Comissão Pró Índio do Acre, Comissão Pró-Índio de São Paulo, dentre outras no Brasil e também internacionais. É importante destacar que cada vez mais os povos indígenas estão se organizando politicamente na luta de seus direitos em associações locais e regionais como a COIAB no Amazonas, APOINME na região nordeste e parte do sudeste, dentre diversas outras.

Algumas ideias para um Brasil mais includente e socialmente justo.

Alice — Pensar em formas de conscientização política da população. Na área indígena pensar em ações de valorização dos povos indígenas a partir de trocas e intercâmbios que atuem na desconstrução de uma imagem exotizada e preconceituosa dos povos indígenas e fortaleçam seus modos de vida e de conhecimento, de maneira a compreender e conscientizar a população sobre processos de transformação de culturas e saberes que todos os povos vivenciam.

Como as pessoas podem contatar e colaborar com este trabalho?

Alice — Apoiando os projetos, participando das vivências, adquirindo produtos indígenas de forma consciente, fortalecendo e valorizando o trabalho das artesãs e artesãos.

Brasil

O AMOR COMO ESSÊNCIA DA VIDA

Um comentário sobre o livro “Daquilo Que Se Pode Dizer”, de Eduardo Waack

Por Benedicto Luz e Silva*

Em “Daquilo Que Se Pode Dizer”, Eduardo Waack, em sua busca do amor ideal, como que recria uma trajetória da própria efemeridade da vida, que, no entanto, deseja eterna. “És mistério e és paixão / Loucura que desconhece limites  / e nos faz caminhar mais livres”. Poema a poema, o poeta aspira ao amor perfeito, no sentido mais lato, ainda que as incertezas de tudo o levem, ao fim, apenas a desencontros. Para ele, é como dizia Cecília Meireles: “Todo amor novo / nasce com um gosto / de saudade”. É como se cada experiência trouxesse em si o germe de sua própria destruição, como, por exemplo, no poema “As Lágrimas”: “É quando descem as lágrimas / No peito, feito cabelos / Que a tua saudade bate”.

Ao fim da leitura de todos os poemas do livro, a lição que se tira é a de que, mesmo após todos os amores frustrados, é preciso perseverar, porque, como dizia Aristóteles, o amor é o sentimento dos seres imperfeitos, e, se se deseja a perfeição, a nossa verdadeira missão é enfrentar as dificuldades presentes, na esperança de poder encontrar a plena harmonia. E Eduardo Waack desenvolve tudo não como ideias abstratas, mas numa continuidade cotidiana real, num autêntico caminho de descobertas, ao partilhar dos destinos alheios, ainda que por apenas alguns momentos. “Percebo que também buscas, / Apreensiva, um sinal para entregar-te, / Um sinal inexistente de segurança”. Isso porque o amor não surge quando se quer, mas apenas de conjunturas que nos ligam a causas profundas: “Te encontrar é tornar à vida, / Desemudecer. Enigmas inebriantes / E um jogo / De sorrisos. É buscar lá dentro d’alma / A porção carinhosa, / Que insistente se agarra / Nas entranhas do pulmão, asfixiante”.

Ainda que o amor ideal permaneça inacessível, a própria busca em si, ao fazê-lo refletir sobre os verdadeiros valores da vida, já vale como autoconhecimento. “Sua presença ensolarada / Esquenta a tarde fria / Guia meus passos / Luz de meu viver”. Embora, como dizia Vinícius de Morais, o amor seja eterno apenas enquanto dura, porque apenas carnal, sem espírito, pela felicidade e pelo prazer que proporciona, é “sinal de vida / Pulso clarão vertigem”. São muitas as passagens em que o prazer atinge o auge e logo se esgota, o poeta sendo verdadeiro “Pescador de Ilusões”: “O homem, desconfortável, quer sempre / eliminar o que o bicho deseja, / na lua jogada fora, sol na sarjeta / vento tempestade, pois a escuridão / é forte, e o medo mudo”. Uma dupla condição, pois, a terrestre, que vive, e a divina, que almeja. “Preciso exorcizar sua lembrança, / Para que, expulsa, eu volte a viver em paz. / Vontade de repartir-me / E experimentar caminhos / Que têm muito de imaginários”.

Revela-se assim o sentido existencial do poeta, na reconquista da unidade primordial perdida. É como se o poeta estivesse em busca de sua alma gêmea, e nunca a encontre. São muitas as situações em que se vê abandonado, porque, mesmo que os corpos se complementem, o mesmo não acontece com as almas. “Nesta sexta-feira da paixão / Os amores desfeitos / Logo pela manhã (…) Hoje Jesus morreu / e o nosso amor também. / Sonho abandonado / Corpo jogado (azul) / A razão ao avesso”. O problema é que o amor ideal é uma abstração: na imaginação, perfeito; na realidade, apenas frustração. Mas, para Waack, os poemas representam experiências vivas, e não se deve ignorar as conotações místicas que eles representam, e que o levam a transformar os anseios amplos de afeto que o impulsionam numa participação humana que ultrapassa em muito apenas as ações individuais: “Caminhos que nos levam / À imensidão dos planetas. / Medidas que preenchem um homem / Fazem dele condicionada realidade”, como está no poema final do livro.

* Ao completar 80 anos, Benedicto Luz e Silva firma-se como um dos maiores intelectuais de nossa pátria. Autor consagrado (“Um corpo na chuva”, romance, 1972 e “Vento Noturno”, poemas, 1986) e cronista exemplar, criou a Editora do Escritor em 1970.

– A fotografia do alto da página é de autoria de Rudolf Koppitz (03/01/1884 – 08/07/1936)

Brasil

ERICKSON LUNA, POETA DAS MADRUGADAS

Por Eduardo Waack

“Faz da gravata / a forca / a fina veste / é tua mortalha / e teu birô / o teu esquife / Do gabinete ao túmulo / vade retro burocrata”. Conheci o autor do poema Epitáfio para um Burocrata, Erickson Luna, em Olinda (PE), no ano de 1987, e juntos tivemos a oportunidade de conviver por vários meses divulgando e declamando nossos poemas nas noites pernambucanas, quando nos encontrávamos, na antiga Feirinha, após descer do Alto da Sé, em busca de uma cachaça com mel.

Erickson possuía imensa cultura, traduzindo em seus versos os sentimentos que abundavam em seu puro coração. Alto, magro, barbudo e despojado, vestindo roupas simples; sorriso imenso e alma maior ainda, agradeço a ele toda a força & carinho que recebi naqueles idos heroicos dos anos 1980. Nascido em Recife (PE) no ano de 1958, ele residiu por muitos anos no bairro operário de Santo Amaro das Salinas. Formado em direito e jornalismo, optou pela poesia. Em 2004 publicou o livro “Do Moço e do Bêbado”, e no dia 22 de dezembro de 2006, durante a festa de comemoração do Natal dos Poetas Pernambucanos, lançou o poemário “Claros Desígnios” em parceria com o poeta Francisco Espinhara. Costumava dizer: “Quem tem que comandar nossa vida é nossa cabeça, o corpo que se vire para ir atrás”.

Faleceu em 2007, na cidade que tanto amou, percorreu e cantou. Como afirmou na ocasião Ednaldo Possas, “o poeta Erickson Luna nos deixou de luto nesta triste madrugada do Dia do Índio. Façamos uma pajelança em sua homenagem”. Descanse em paz, amigo, sua poesia jamais morrerá! A seguir, uma amostra de seu inspirado trabalho.

MARIPOSA

Pra eu poder

e só

andar nas ruas

fez-se em volta uma cidade

 

Para se dar

mais colorido à noite

pôs-se acima um luminoso

 

E pra que eu

me sinta bem enfim

nesta cidade

há-se em mim um cidadão

 

Portanto livre

como o que é em noite

e que enche as ruas

perseguindo luzes

acordando

ainda que em sonhos

íntegro

ainda que meio-homem

plenamente meio

mariposa

 

CLAROS DESÍGNIOS

Os vícios tragam-me depressa

à parte a rebeldia que me torna em jovem

 

Claros são os meus desígnios

é-me incontida a busca dos momentos

ao passo que me são estranhas

as vocações que emergem desses tempos

 

Diuturnos rituais à impotência

as existências curvam-se às idades

e se acrescenta à ancestral obediência

a iminência de também ser ancestral

 

A tal sorte a mim me cabe lamentar o pouco-a-pouco

 

a morte tarda dos longevos

sorrir da vida e a que ela se presta

tão mais intenso quanto perto o fim

 

Os vícios tragam-me depressa

à parte a rebeldia que me torna em jovem