Irineu Volpato, Reinventando a Linguagem

Irineu Volpato, Reinventando a Linguagem

POR EDUARDO WAACK

Irineu Volpato escreve como quem desconstrói a linguagem, para através de suas cinzas forjar uma nova palavra, uma literatura atraente. Viajante incansável, poeta, ensaísta, tradutor. Petroleiro e diplomado em Administração, reside atualmente em Piracicaba (SP). Nascido em 1933, é autor de “Poemantos”, “Vária Vereda”, “Como não levar nossa sombra com a gente?”, “Paulistarum Terra Mater”, “Samambaias Saíras mais Socós”, “Poemeus”, “Sagaracontos”, “Esta Noite é Lua Demais” e “Derradeira Plumagem”, entre outras obras. Vamos conhecê-lo melhor!

Apresentação. Fale-nos um pouco sobre você.

Irineu — Nasci numas quebradas de morro-roça que diziam Paraíso, que era de Piracicaba depois passou pra Charqueada, dali mudamos pra outras roças, onde iniciei meu curso primário e acabamos na cidade — Piracicaba, onde molequei pouco tempo e acabei arribando para um seminário de padres, primeiro em Rio Claro, logo mais Ribeirão Preto onde acabei primeiro espiando as antologias e depois gostando da literatura. Não que os padres estimulassem, porque o objetivo lá era o religioso.

Como a literatura surgiu em sua vida?

Irineu — Numa visita de meu pai acabei convencendo-o comprasse “Primaveras”, de Casimiro de Abreu e “Espumas Flutuantes”, de Castro Alves.  Daí em diante pus-me a lambuzar-me de poesia. Intitulei meu primeiro volume de “Ecos do Claustro”. E dali nunca mais cessei. Saí do seminário e cá fora com meus 16 anos o mundo me despencou. Via poesia em tudo, tanto que com meus 18 anos acabei publicando um meu primeiro trabalho “Brumas e Brisas”. E no Diário de Piracicaba onde trabalhei como revisor e no Jornal de Piracicaba onde mantinha uma página semanal e despenquei-me literatura.  E lia de tudo. Fui escarafunchar poetas brasileiros e portugueses, suplementos literários de todo o Brasil.

Quais suas grandes influências e pessoas que admira?

Irineu — E aí comecei a inventar-me como poeta, depois de explorar o que a literatura tradicional me ditara. Até descobrir Manoel de Barros. Encantei-me mas não debrucei. Fiz-me e nesse fazer-me fui experimentando. Machado, Euclides, Guimarães Rosa, Bernardim Ribeiro, Camilo, Homero, Virgílio, Ovídio, Dante, Manoel Bandeira… Achei de chamar meus curtos poemas de Motemas — isto é, um mote-poema, como também fotemas, obviamente.

Quantos livros você lançou, e que estilos abrangem?

Irineu — Para cuidar da vida como sobrevivência, fui-me somando sem publicar coisa alguma até aposentar-me. Dês então parti gulosamente para somar-me. Me inventei motemas, fotemas, achando que a literatura para ser gostosa não carece cansar ninguém. Ser simples, dizer o que apenas precisa e largar que o leitor continue por si dizendo daquilo que leu. Originalidade?  Gente, poesia é aquilo que arrebenta sublime dentro da gente, quando carecemos dizer. Daí surgiram 38 títulos de poemas publicados, incluindo um de prosa, “Viagem à Grécia”.

Sua opinião sobre a atual cena cultural brasileira (e paulista).

Irineu — O que está acontecendo por em poesia no Brasil e mesmo em São Paulo, sei lá, não estou ouvindo a repercussão do fato. O que tenho lido é demais repeteco e parca criatividade. Parece que todo mundo continua achando que, o quer que disserem, vale.

Um momento (de sua existência) que ficou na memória.

Irineu — Sempre achei e continuo achando que o movimento da Semana de Arte Moderna fora o que mais inspirou e renovou esse Brasil.

Fale-nos sobre seu processo de criação.

Irineu — Meu processo de criação deve ser o de toda gente. Inspira-se e dá aquela vontade de dizer, independente da hora e situação. 

O que é poesia para você? Qual estilo lhe atrai?

Irineu — Mas tenho que ou se renova a mesmice ou se repetirá beabando insulsa, e os que nela se apoiam, achando que estão poetas ou literatos, mas será?

Deixe um conselho a quem está começando na literatura.

Irineu — Tenho que cada um deve ter seu estilo, mas mais importante que estilo é a criatividade. A inventividade, a novidade, o falar outro. Diferente. E aos que estão iniciando, leiam, leiam tudo, muito e inventem o seu diferente de dizer isso tudo.

Como as pessoas podem contatá-lo e apoiar ou adquirir o seu trabalho?

Irineu — Através das redes sociais, como Facebook, e também de meu e-mail: volpato.irineu@gmail.com.

Quais seus planos para o futuro?

Irineu — Eu continuo teimosando minha poesia, a cada dia brigando para trazê-la ao simples pra que me entendam e apreciem o que digo. Vale.

Três Vezes Irineu

“A poesia de Irineu Volpato definitivamente tem os versos escritos ao avesso. A poética de sua verve é única, tem um linguajar que faz seus motemas mexerem com os desvãos da criatividade de qualquer leitor. É uma roupagem rara e rica que desfila muito bem os neologismos com uma brasilidade ímpar.” — Cláudia Brinopoeta e editora / Santos (SP)

“Minha amizade com Irineu Volpato vem de longas datas. Escritor enxuto naquilo que escreve, sabe como poucos economizar palavras para escrever um poema de rara qualidade literária. Apesar de toda modernidade que necessitamos para a realização de nosso trabalho literário, somos (eu e ele) os ‘últimos dos moicanos’, ou seja, talvez os últimos a se relacionar através de correspondências via correios, essa forma para uns antiquada, mas ainda a que mais traz emoção ao coração das pessoas. Homem de palavras sábias e sem hipocrisias, Irineu Volpato não faz concessões quando precisa opinar sobre qualquer assunto, inclusive sobre o momento triste em que o Brasil vem enfrentando nos últimos 60 anos. Um dos caras mais autênticos e sinceros que conheço. Um verdadeiro Ser Humano. Tenho orgulho de ter um cara como esse no meu pequeno rol de verdadeiros amigos.” — Rogério Salgadopoeta / Belo Horizonte (MG)

“Irineu Volpato, poeta e professor, radicado em Piracicaba, interior de São Paulo, é um poeta atípico. Usando o universo lírico para seus escritos. Conheci o amigo Irineu há muitos anos atrás escrevendo uma carta para ele, no qual ele prontamente me respondeu. Até hoje temos esta comunicação por carta, mesmo com a atual tecnologia. Receber uma carta de um grande amigo assim me parece receber pessoalmente sua visita. É um grande escritor e de um valor incalculável para a literatura nacional. Me chama a atenção seu estilo de escrever. Sempre respondendo de forma diferenciada suas cartas. Desejo que ele tenha saúde e que possa escrever muitas obras literárias. Desejo sucesso e felicidades meu caro irmão.” — Adão Wonsescritor e fanzineiro / Cotiporã (RS)