SIMONE DETONI, UM OLHAR SOBRE A CIDADE

Por Eduardo Waack

Conheci Simone Detoni quando ela era ainda uma garotinha, no distante Pato Branco (PR) dos anos 1970. Eu frequentava a residência de seus pais, pois era amigo de seu irmão Adilton. Ela, atenta e silenciosa, estava sempre por perto, seja em baixo da mesa, ora na porta do quarto, ou nos espiando no quintal. Simone cresceu, descobriu o mundo, casou-se e teve filhos. E agora envereda pelas sendas misteriosas da fotografia, lançando seu olhar crítico, por vezes neutro, noutras lírico, sempre aprendiz, sobre a metrópole que a cerca. Mas deixemos que ela mesma se apresente:

— Nasci em Guarapuava (PR), mas sou patobranquense de coração e paulistana por uma feliz determinação do destino. Desde muito pequena observei diferenças, sempre abominei qualquer tipo de exclusão e nunca entendi porque algumas pessoas não possuíam o que eu possuía. Nunca achei, porém, que precisaria deixar de ter para que o outro também tivesse.

— Me formei em Direito, abandonei a profissão há 14 anos, depois fui esposa, mãe e corretora de imóveis, mas já nasci sendo uma apaixonada pelo mundo e pelas pessoas e, muito embora algumas tenham me decepcionado muito no decorrer do percurso, assim continuo.

— Gosto de olhar para o que poucos olham, gosto de ver depois e tentar sentir o que aquela pessoa estava sentindo, gosto de colecionar memórias e amo o poder contido na arte fotográfica, o poder de me fazer capaz de congelar o tempo e mostrar para quem não quer ver o mundo real. Não o faço de forma profissional, tampouco pretendo — pouco sei sobre as ferramentas de uma máquina fotográfica; busco apenas a permanência através da arte, e a fotográfica é minha preferida.

Abaixo, sob a ótica de suas lentes, migrantes, excluídos, moradores de rua, pessoas anônimas sem voz nem vez: seres humanos.