NÁ OZZETTI E A NOVA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA

 

NÁ OZZETTI E A NOVA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA

Por Eduardo Waack

 

Suas músicas fazem parte da trilha sonora de minha existência. Ná Ozzetti tem seu nome inscrito no panteão das grandes intérpretes brasileiras de todos os tempos. Sua simpatia, erudição e educação são proporcionais ao seu talento. Ainda me lembro quando a encontrei, num final de tarde, na fila de passagens, na estação rodoviária do Rio de Janeiro, em 1989. Ela voltava a Sampa, após apresentar-se, na noite anterior, no Circo Voador. Dei-lhe de presente meu livro “Canções do Front”. Guardo seu sorriso até hoje. Boa leitura!

 

Apresentação. Fale-nos um pouco sobre você.

— Meu nome é Maria Cristina Ozzetti, mas desde criança me chamam de Ná. O apelido foi inventado pela irmã mais nova que estava aprendendo a falar. Em 1979, quando fiz a primeira temporada de shows com o grupo Rumo, incluímos os nomes dos integrantes no programa impresso, foi aí que surgiu meu nome artístico Ná Ozzetti. Cresci num ambiente musical, seguindo o gosto das famílias de pai e mãe. Meus irmãos e eu começamos a praticar e estudar instrumentos na infância. Mais tarde, na adolescência e juventude convivi com bandas de rock e grupos de MPB e samba que meus irmãos levavam para ensaiar lá em casa. A primeira experiência em palco foi aos 15 anos, como vocalista do grupo de samba do meu irmão. Fiquei tão fascinada pela experiência que decidi ali o meu destino musical. Entrei na faculdade de artes plásticas e adorava as aulas e os professores. Foi lá que conheci a artista Edith Derdyk, que me apresentou para o grupo Rumo, e então me tornei uma cantora profissional.

 

Como a música surgiu em sua vida?

— Me empolguei na pergunta anterior e acabei respondendo esta também… Mas posso acrescentar que aprendi a escutar muitos gêneros musicais na infância e as lembranças mais remotas são todas musicais. Meu avô materno gostava de óperas e música erudita. Aos domingos meu tio animava os almoços em família tocando tarantelas no acordeom. Meu pai adorava dormir com o rádio ligado numa programação de música que tocava de Rita Pavone, Beatles a Elis Regina e Mutantes. Ficava fascinada quando ouvia os Beatles na vitrola do meu primo, essa parte era o ápice. Sempre gostei de cantar e aprendia rápido as canções. Meu irmão Dante tocava violão e cantávamos juntos. Meus outros dois irmãos também logo escolheram seus instrumentos, Marco toca guitarra, violão e cavaquinho e Marta é flautista.

 

Relembrando o grupo Rumo.

— Foi uma experiência riquíssima, um presente que ganhei da vida! Ali está grande parte da base do meu trabalho de intérprete até hoje. Adorava aquele contexto de experimentação e a proposta muito clara do canto falado, das recriações de canções antigas também, da inventividade dos arranjos. Tudo era invenção. Me identifiquei e continuo de alguma forma seguindo este caminho

 

Quais suas grandes influências e pessoas que admira?

— Ouvi de tudo desde sempre, então acabo sendo um pouco o resultado dessas influências. Mas tem artistas que coloco num pedestal e são pra mim as maiores e eternas referências: Bach, Kazuo Ohno, Fellini, Pixinguinha, Carmen Miranda, Tom Jobim, Elis Regina, Miles Davis, Billie Holiday, Beatles, Chaplin, entre outros… Também muitos que estão em plena produção, incluindo alguns que tive o privilégio de trabalhar, como André Mehmari, Zé Miguel Wisnik, Luiz Tatit, Dante Ozzetti, o pessoal do Passo Torto, e muito mais, não consigo citar todos que merecem ser citados…

 

Quantos discos solo você lançou, e que estilos abrangem?

— São quatro discos com o Rumo e doze em carreira solo, dos quais quatro em parcerias: CD e DVD “Piano e Voz” (com André Mehmari, 2005 e 2006), “Ná e Zé” (com Zé Miguel Wisnik, 2015) e “Thiago França” (com Passo Torto, 2015). Nos discos solo costumo alternar trabalhos de intérprete em projetos com temas específicos, e discos autorais e de composições inéditas de outros compositores também. “Ná Ozzetti” (1988), “Ná” (1994), “Love Lee Rita” (canções de Rita Lee, 1996), “Estopim” (1999), “Show” (sambas canções das décadas de 1940/50, 2000), “Piano e Voz” (2005 e 2006), “Balangandãs” (homenagem a Carmen Miranda, 2008), “Meu Quintal” (2011), “Embalar” (2013), “Ná e Zé” (canções de Wisnik, 2015).

 

Quais seus principais parceiros musicais, e músicos com quem tocou e gravou?

— Luiz Tatit é o mais antigo e o mais frequente, trabalhamos juntos desde 1979 no Rumo. Depois o Dante, meu irmão, que começou a trabalhar comigo em 1985 e seguimos juntos na minha discografia solo, ele como arranjador, compositor, produtor… Os músicos que tocam comigo e que conceberam e gravaram meus discos recentes Mário Manga, Sérgio Reze, Zé Alexandre Carvalho e o Dante. Zé Miguel Wisnik, Itamar Assumpção, André Mehmari e recentemente o Passo Torto, grandes e queridos parceiros. Além deles já cantei com muitos músicos como Swami Jr, Italo Peron, Jaques Morelembaum, Gabriel Improta, Benjamim Taubkin, etc., e participei de projetos com outros cantores, entre eles Zélia Duncan, Monica Salmaso, Patricia Bastos, Ceumar, Juçara Marçal, Jussara Silveira, Suzana Salles, Renato Bras… A lista é grande.

 

 

Qual sua opinião sobre o panorama cultural e musical no Brasil atual?

— Gosto muito da diversidade e da fusão de influências e gêneros. Tenho visto excelentes músicos jovens, com ideias inventivas. Há muita gente produzindo bem e de forma criativa em vários estilos e com personalidade. Precisam ser melhor valorizados, como sempre.

 

O que pensa de uma América Latina mais unida e solidária?

— Um sonho. Fundamental!

 

 

Como as pessoas podem contatá-la e apoiar ou adquirir o seu trabalho?

— Através da Circus Produções (11) 2528-4732. Se desejarem conhecer o histórico do meu trabalho, ouvir as faixas dos discos e baixar gratuitamente os discos “Ná”, “Estopim” e “Embalar”, entrem no site www.naozzetti.com.br. E também pelo facebook, instagram…

 

Quais seus planos para o futuro?

— Estou concebendo novos projetos que ainda não sei onde vão chegar. Enquanto isso, continuo me apresentando em diferentes formações.

 

 

 

https://www.youtube.com/watch?v=7LNwSdCPA0s&list=PLFYN9RSTKAWoYMc52Vnfk0KzUqEsJV5uT&index=3

 

“Adeus Batucada”, de Synval Silva. Ná Ozzetti e quarteto, 2007.

 

https://www.youtube.com/watch?v=lwxPndZ1Huw&index=8&list=PLFYN9RSTKAWoYMc52Vnfk0KzUqEsJV5uT

 

“Tico-Tico no Fubá”, de Zequinha de Abreu. Show Balangandãs, Teatro FECAP. Direção do vídeo: Guto Carvalho.

 

https://www.youtube.com/watch?v=IDq8dQ8aKkU&index=1&list=PLFYN9RSTKAWqlVEnx-Fgltj7iwAk7220J

 

“Equilíbrio”, de Ná Ozzetti e Luiz Tatit. CD “Meu Quintal”, comemorativo de seus 30 anos de carreira. Música indicada ao prêmio de Melhor Canção Brasileira do Grammy Latino 2011.