CIDA MOREIRA, ENTREVISTA

Por Eduardo Waack

Sua voz é potente como um trovão, mas também pode ser suave como um acalanto. É uma divina rainha da MPB que deixa a nós, seus admiradores, ansiosos por sua inspirada presença. Nascida na capital paulista em 12/11/1951, Cida Moreira é cantora e atriz. Gravou seu primeiro disco, Summertime, em 1981, e a partir daí seguiu reconhecida carreira musical. Com opiniões fortes e presença cênica marcante, ela é simples e complexa, brasileira e universal: contemporânea, eterna, reluzente.

Apresentação. Fale-nos um pouco sobre você.

Cida — Sou uma mulher de 66 anos, com uma filha de trinta anos… Comecei a cantar em programas de rádio no interior de São Paulo onde fui criada; estudo piano desde os seis anos. Sou cantora, atriz, pianista e psicóloga formada, profissão que exerci por sete anos até optar pelo teatro, cinema e música.

Como a música surgiu em sua vida?

Cida — Eu surgi para a música, como falei acima. Nasci com ela dentro de mim, como um dom que agradeço todos os dias da minha vida…

Relembrando a Vanguarda Paulistana dos anos 1980.

Cida — A tal Vanguarda Paulistana foi um dos grandes momentos de nossas vidas. As mistificações em torno dela apenas se valem de um saudosismo paralisante. Estamos todos aí, velhos, fortes e com trabalhos muito significativos, apenas isso…

Quais suas grandes influências e pessoas que admira?

Cida — Minhas influências são música erudita, pop, música brasileira de todas as épocas… E tudo isso continua me dando régua e compasso até hoje.

Quantos discos solo você lançou, e que estilos abrangem?

Cida — Tenho doze discos solo em LPs e CDs, e dezenas de participações honrosas em lindos projetos.

Quais seus principais parceiros musicais, e músicos com quem tocou e gravou?

Cida — Toco piano, solitariamente, mas trabalho com grandes músicos e instrumentistas. Ao longo de quarenta anos de carreira a lista é infindável e eu esqueceria alguns nomes…

Qual sua opinião sobre o panorama cultural e musical no Brasil atual?

Cida — O Brasil atual é o Brasil de sempre… Os criadores fundamentais continuam. Novas e boas gerações fazendo uma música forte e bela, e um comércio sem critérios vendendo quantidade sem qualidade… Os artistas de verdade não param, nem desistem por conta de nada.

O que pensa de uma América Latina mais unida e solidária?

Cida — Acho absolutamente improvável esta união. Os sistemas políticos não permitem isso, e somos muito diferentes mesmo entre nós.

Como as pessoas podem contatá-la e apoiar ou adquirir o seu trabalho?

Cida — As pessoas me contatam pelas mídias todas, página no face, site (www.cidamoreira.com), lojas de discos, em todo lugar, e muito You Tube, essa arma de divulgação poderosa.

Quais seus planos para o futuro?

Cida — Os mesmos de toda minha vida… Cantar com dignidade, coerência e integridade, e me retirar quando decidir isso. Simples…

Cida Moreira interpreta “Na Hora do Almoço” de Belchior, em vídeo dirigido por Murilo Alvesso.

“Forasteiro”, composição de Helio Flanders e Thiago Pethit. Cida Moreira ao vivo na Casa de Francisca, em São Paulo.

“O Ébrio” (Vicente Celestino), “Azulão” (Jayme Ovalle e Manuel Bandeira), “Todo o Sentimento” e “Geni e o Zepelim” (Chico Buarque). Cida Moreira no programa Ensaio, da TV Cultura.